Estréia

É isso ai minha gente,

Agora o endereço do nosso sítio já está no jeito.

Agradecemos a todos por nos visitar e também por deixar aqui seus comentários.

Até sábado na Barragem Santa Lúcia. A festa promete ser maravilhosa.

Ai vai a programação completa. Não percam!

E como esperamos comemorar mais uma vitória do Brasil na Copa. Deixo aqui a minha sugestão de bolão para o próximo jogol: Brasil 3 X Portugal 1.

Qual é a sua?

Valeu.

Dudu (em nome dos Dois)

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Do Morro ao Asfalto - Edição 2010

Uma cidade sem barreira. Uma cidadania verdadeira. Do Morro ao Asfalto, o samba de volta pra casa. A justiça mais próxima, a justiça mais justa. Uma só festa que o samba concilia.

Há quatro anos temos o privilégio de percorrer as favelas de BH promovendo deliciosas rodas de samba, na companhia de vários amigos.

Durante esse tempo já passou pela roda do Dois do Samba boa parte da cena de samba de MG, como: Toninho Gerais, Dona Jandira, Lúcia Santos, Tia Elza, Meninas de Sinhá, Donaelisa, Seu Domingos, Mestre Conga, Fabinho do Terreiro, Zé do Monte, Seu Ronaldo, Bira da Favela, Artur Carvalho, Cabral, Mário Moura, Nonato, Dóris, Dé Lucas, Vitor Santana, Aline Calixto, Mestre Jonas, Miguel dos Anjos, Tiago Mocotó, Ronaldo Leon, Marcelo Roxo, Thiago Delegado, Fernando Bento, Gustavo Maguá, Juliana Perdigão, Rodrigo Torino, Chuchu do Cavaco e os grupos Fidelidade Partidária e Copo Lagoinha.

A Edição 2010 do projeto começa no próximo sábado, dia 26 de junho, a partir das 16h.

Teremos o prazer de ter como convidados os sambistas Diza do Cartola, Ivo do Pandeiro, Evair Rabelo.

Para além da participação especial do querido Vander Lee, parceiro da última hora que tem nos trazido muita alegria.

Esperamos todos lá para essa festa do samba e da cidadania!

Saudações.

Dudu Nicácio (em nome dos Dois).

ps: as fotos são da nossa querida Nana.


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Das lembranças


Tudo o que é bom deve ser lembrado.
E tudo que é ruim tem que ser esquecido.
Independente do valor - positivo ou não - existe um mecanismo na mente que retorce e distorce as imagens, sons, cores e sabores da lembrança ainda lívida.

Todo dia algo de real, da lembrança, se perde da emoção do lembrar. Quando ainda a cena está recente, sente-se com arrepio o sinistro momento. E aprendemos isso das lembranças ruins, como acidentes, perdas e insucessos.
As razões irracionais, incontroláveis, os fatos desencadeados, todo o non-sense produzido no ato de uma lembrança traumática, todos estes, vão - graças à Deus - para alívio de quem vive, se tornando cenas distantes, deixando de ser memória fresca. O tempo se encarrega de levar o sentimento auge dessas infelicidades: o medo. Daí, parece que uma parte daquilo ruim, se aloja em algum lugar do futuro das nossas ações, pra se transformar em algo que preste pra alguma situação presente. Tudo se transforma na natureza do viver - cair e levantar pra aprender a cair e aprender a levantar e aprender a não cair tanto e aprender a voar. Tudo mesmo, se transforma, até as boas lembranças ditas inesquecíveis. Estas ao sabor do tempo, também vão sendo esquecidas se não revividas. Revisitá-las pode parecer difícil, surgindo daí a necessidade de ritualizar. Para tentar conviver com uma linda lembrança que já está fosca pelo passar do tempo, para tentar conformar-se com uma cena repleta de alegria que não volta mais. Para suportar a vida sem aquele breve, porém pleno, momento vivo no peito. Para tentar reviver aquela magia de encantamento, aquela festa livre de espaço e de tempo. Pra isso, para tudo isso que foi inventado o samba.

Rodrigo Braga

ps: as fotos são um registro da nossa querida Nana, da nossa participação na Saideira do Comida de Buteco.

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Um brinde e boa noite!

Meu nome é Rodrigo. Meu sobrenome é Braga. Venho através desta me apresentar e redimir. Aos que me conhecem, os amigos da verdade, um fraterno sorriso. E um brinde. Aos que me conhecem, de longe, uma respeitosa reverência.
Aos que me respeitam e admiram, um enorme e respeitoso muito obrigado. Aos irmãos e irmãs de fé e luta, duas mãos seguras por dois braços. Aos que são de sambar, fiquem à vontade. Aos que desejam amizade, braços abertos. Um brinde a todos nós.
Gostaria de brindar por todos guerreiros e guerreiras, amantes cármicos da música. Mestres, estamos juntos. Todas portas-bandeiras dessa missão cultural do universo, que juntam unidade ao verso e se tornam dois, duas que, em grupo levam, entoam, defendem, o samba.
Samba não se faz sozinho, nunca se fez sozinho. Na melhor das reduções da hipótese, há sempre uma árvore, tripas e couro. Entidades outrora vivas que emprestaram seu valor a um ser humano aparentemente só, com uma idéia, com um desejo, com uma força. Postos à serviço da dôr ou da alegria, encontrando seu propósito nos pés, desatando os nós, da massa. 
Aos antepassados dos antepassados, proponho um brinde. À toda conjuntura do destino que levou à criação dos mais sutis quesitos.
À toda seriedade dos exércitos de jongueiros e à toda sacanagem das corjas de malandros, estes todos, criadores, improvisadores, gênios da linguagem por reflexo, sabedoria e sobrevivência, que sacaram do ar de seu tempo as tantas desinências convergidas num só ponto, o samba. De todas as partes do país, de todos os jeitos possíveis, foram eles que resistiram para que agora, ainda possamos refazer sua cultura no terceiro milênio. Um brinde ao legado da cultura negra, como a água, infiltrando-se por entre índios e europeus.
Sou do samba. Junto com meu parceiro Dudu Nicácio, somos Dois do Samba. Mas acredito que juntos somos milhões do samba.
E pra quem é do samba eu deixo meu boa noite.

Boa noite (Mocotó/R.Braga)

"Boa noite, meus amigos camaradas,
Parceiros de madrugadas,
Companheiros de ilusões.

Boa noite, aos que fazem batucadas,
Pandeiros, vozes cantadas,
Cavaquinhos, violões.

Boa noite, às mulheres encantadas,
Às cervejas bem geladas
Às conversas, às canções.

Boa noite, às noites de lua estrelada
Às casas, butecos, calçadas,
Palco dessas uniões.

À todos que gostam de samba, sorrir e cantar
À todos que o coração manda viver ao luar
À todos que fazem da noite razão de seus dias
Que fazem de suas tristezas, belas melodias..."

Boa noite!

Rodrigo Braga

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Dois do Samba na área!!!

Olá rapaziada,

Olha ai o Dois do Samba chegando na área.

Depois de algum tempo tentando reinaugurar esse espaço, começaremos a partir de hoje a postar algumas imagens, histórias, vadiagens e maladrangens que a gente anda aprontando pelo mundo afora.

Antes de mais nada, queremos agradecer muito aos queridos Grabriel Goyanes e Caio Nolasco, que iniciaram o blog e que gentilmente nos cederam o domínio do lote ao conhecer o nosso trabalho. Deixamos aqui registrada a nossa gratidão e homenagem.

Agradecemos também ao grande João Fórceps!, que deu a maior moral deixando o blog no jeito. Valeu Jãozito, "tamo junto e misturado"!

Pra começar o nosso bate bola, uma foto "das antiga" do Dois do Samba. Aliás, a primeira. Quando do nosso show de estréia no Conexão Telemig Celular de 2006, na cidade de Viçosa. A foto foi tirada pela nossa irmazinha Karina Nicácio na laje do grande parceiro Mestre Jonas, no Aglomerado Serra em BH.

O show que era uma espécie de festival não nos deu a taça, mas selou a parceria e marcou a nossa relação com esse projeto, que é sem dúvida um dos mais importantes para a cultura do país. Agora com o nome Conexão Vivo, ele está se espalhando para o Brasil inteiro e a gente desde então tem marcado presença na sua programação.

Viva a festa!

Até a próxima jogada, que certamente será do meu companheiro de fé nessa empreitada: Rodrigo Braga.

Abraço pra geral.

Dudu Nicácio (em nome dos Dois).


Ah, e pra ninguém achar que é boato: um registro do show. Na foto, a presença marcante do nosso super Tiago Mocotó. Parceiro da primeira hora e artista maior, que fatalmente ganhará várias homenagens nossas ainda aqui e em todas as rodas.

ps: a foto a gente não sabe quem tirou, mas mesmo assim agradecemos o olhar.

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Aquele Abraço

Ontem, dia 16 de maio, foi realizada a 5ª edição do, já consagrado, Prêmio Tim de Música. Como é costume do projeto, o premio homenageia a cada ano um artista importante para a musica brasileira, sendo esse ano o grande compositor Zé Kéti.
Em virtude disto, muito se falou na mídia em uma verdadeira festa do samba. O primeiro show da noite foi de Milton Nascimento cantando Opnião. Acho a escolha errada, podiam convidar cantores com maior historia no samba, como por exemplo o próprio Elton Medeiros que também se apresentou ao lado da cantora Negra Li para abrir a festa já que oi grande parceiro de Zé Kéti.
Mas os pontos fracos começaram mesmo na talvez mais famosa musica do homenageado. A Voz do Morro não é e nunca poderá ser a de Gilberto Gil. O excelentíssimo ministro “não é o samba”, muito menos “o rei dos terreiros”, “natural do Rio de Janeiro”. Se o premio queria alguém com o tão falado “apelo Pop” que chamassem Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, que estão mais na mídia. Não sei a quantas anda sua saúde, mas imaginem uma dupla homenagem nesse momento com Jamelão interpretando a musica. Ou ainda uma união das Velhas Companheiras, velhas guardas de Mangueira e Portela juntas, mostrando ao mundo e aos jovens de hoje que assim como Zé Kéti construiu a historia musical do samba, transformando-o em gênero maior da nossa cultura.
E não é que o samba possui uma categoria própria na premiação. E começo com um elogio. Assim como havia dito na postagem anterior sobre o cd do Guilherme de Godoy, o premio de melhor disco de samba foi para um cd independente. O vencedor foi Tantinho da Mangueira, com o cd “Memórias em Verde e Rosa”. Quanto ao melhor cantor, também nada há de se contestar. Zeca Pagodinho se tornou unanimidade, e o fato de ser ídolo de muita gente apenas por estar na moda, não tira o mérito dele, que sempre defendeu o samba verdadeiro.

Quanto aos outros dois prêmios da categoria, muito há de se questionar. A melhor cantora de samba para os julgadores do premio é também a melhor cantora da categoria pop/rock. Só isso seria o suficiente para causar certo desconforto. Tudo bem que a Marisa Monte produziu discos da Velha Guarda da Portela, gravou com Paulinho da Viola e Mauro Diniz, mas isso não a torna cantora de samba, mas sim uma grande colaboradora do gênero.
Mas o pior estava por vir. O premio de melhor grupo de samba estava entre 3 concorrentes. O já mais do que consagrado Fundo de Quintal, o grupo revelação Galocantô e, sei lá por que loucura, o grupo Quarteto em Cy (não tem uma categoria MPB?). o resultado foi o esperado. Ganhou o grupo Fundo de Quintal. Mais do que merecido, afinal, o grupo fez muito pelo samba, lançou o movimento do pagode na década de 80 (o pagode verdadeiro não o pagode pop), trouxe junto à sua trajetória artistas como Beth Carvalho, Jorge Aragão, Sombrinha, Arlindo Cruz, Neoci, e o próprio Zeca Pagodinho. Mas esse mesmo grupo não podia ganhar o premio de melhor grupo de samba pelo CD “Pela Hora”. Não é justo com a historia honrosa do Fundo de Quintal, que infelizmente vem a cada ano se tornando mais parecido com grupos como o Revelação e menos com aquele que era antes.
Diante de um grupo em declínio musical (opinião pessoal minha que pode ou não ser compartilhada.), um grupo de MPB (sigla que até hoje não entendi, ou o samba, o frevo, o funk, o sertanejo, não são musicas, populares e brasileiras? Ta bom o funk num é musica mas o resto se encaixa perfeitamente nessa definição.), e um grupo que vem surgindo com força no cenário do samba carioca, eu fico com a boa juventude.
E continuamos na luta para sermos sempre o samba de Zé Kéti, mostrando ao mundo que temos valor e trazendo a alegria para milhões de corações brasileiros. Aos outros, “Aquele Abraço”.

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O Samba Sabe o Que Quer!

Volto a escrever depois de alguns dias sem computador e como a situação ainda não esta muito bem resolvida por aqui e, para não deixar o blog parado por muito tempo, vou por enquanto postar letras de sambas pouco conhecidos mas que transmitem uma mensagem semelhante à que aqui tentamos transmitir.
E para começar trago a uma letra de Guilherme Godoy, musicada por Sergio Botto. A musica se chama “O samba sabe o que quer” e foi gravada no homônimo disco, produzido pelo próprio Guilherme Godoy. Na gravação, recebeu todo o requinte que merece pela letra, nas vozes de Delcio Carvalho, Tânia Machado e Walter Alfaiate. Bom vamos a letra.

“Samba, melodia que me toca
Me protege e acaricia
Feito os braços de mulher
Desde que a Ciata minha tia
Deu inicio à fidalguia
O samba sabe o que quer
Me desculpe tanta nostalgia
Mas meu peito não vicia
Com esse samba que é tocado por ai
Me martela o radio o dia inteiro
Só que o samba verdadeiro
Foi aquele que aprendi
Apreciador de jóia-rara
Delcio e Dona Ivone Lara
Embalando o sonho meu
Trago o fino de Carlos Cachaça
Herivelto e aquela praça
Que o Rio jamais esqueceu
Tempos idos mas sempre lembrados
Gênios homenageados
Pelo povo, no fundo do coração
Este é que é o bom samba, meu parceiro
Velho e novo, brasileiro
Que mantém a tradição
Samba de Noel, Cartola e Noca
Silas, Geraldo Pereira
De Monarco e Ismael
Wilson, o que é Batista e o que é Moreira
Paulinho e João Nogueira
O Martinho lá na aba do meu chapéu
Quero ouvir no radio da vizinha
Chico, Elton, Gonzaguinha
E o Nei Lopes recordando o andaraí
Beth, Zeca, Roberto Ribeiro
Nelson Sargento Guerreiro
E um samba Tijucano do Aldir
Um delírio meu no bar da esquina
Elizete e Clementina
Clara é a luz de Candeia
Dilermando e Ciro na caixinha
Uísque, gelo e o poetinha
Tom Jobim com seu piano na velha Mangueira
Vem mais gente que carrega a chama
Dorival, Zé Kéti inflama
O peito que não se encerra
Ginga, Guinga, Joyce, Clara e Ana
E a Rosa Passos baiana
No samba da minha terra”


Esse samba serve como bandeira para o que tentamos nesse blog. Mostrar que o samba tocado por ai, martelado na sociedade pela mídia e gravadoras nunca irão “viciar nossos peitos”. Poucas as exceções que podemos ver atualmente e nesse caso vale destacar a radio Roquette Pinto (FM 94,10), do Governo do Rio, que ainda destina parte do seu horário ao samba verdadeiro, bem como ao choro e outras musicas genuinamente brasileiras.
Por fim, deixo a dica do CD em questão como um excepcional disco de musica brasileira, pois não é apenas de samba mas também choro, valsas e canções. Como o disco é independente, o que alias tem sido grande parte das boas produções musicais contemporâneas, mas como diz o Caio isso é outra historia, apenas alguns lugares mais seletos o possuem.
“O fato é que hoje em dia o brasileiro só agita sua bandeira verde e amarela quando o sentimento fala alto e, conseqüentemente, esse sentimento só desperta em nossos corações se movido pela arte, seja a do futebol ou da musica por exemplo. No momento de tentativacada vez mais evidente de padronização do gosto musical por parte da “grande industria” só mesmo com iniciativas desvinculadas como esse CD de Guilherme Godoy e Sergio Botto podemos estar na boiadasem ser necessariamente boiada. E de olhos abertos, com os corações a jorrar a energia criativa da nossa nação cultural.
Este é o Brasil lindo e autêntico que nos faz agitara bandeira do samba que não pode parar.”
(depoimento de Antonio Adolfo extraído do encarte do CD “O samba sabe o que quer. A musica de Guilherme de Godoy e Sérgio Botto".)

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Um Programa Equivocado

Percorrendo os muitos canais por muitas vezes muito inúteis da TV a cabo instalada na minha casa encontrei algo que me prendeu a atenção. Era de manhã e estava passando uma reprise do programa Tribos, no Multishow, apresentado por uma bela e talentosa Daniele Suzuki. O maior motivo por eu parar neste canal não foi o charme nipônico-brasileiro (se é que existe este termo) da apresentadora, mas sim porque a “tribo” em pauta era a do Samba. E é aí que começa a minha contrariedade com o os equívocos tamanhos que a atração jovial cometeu.

Vamos ao programa.

Eis que eu o pego o bonde andando, pois quando chego no canal já está acontecendo uma entrevista com o rapper Marcelo D2. Tudo bem, um ídolo POP como ele, que conquistou uma legião de fãs falando de seu respeito pelo samba nas letras compostas ta legal, mas, convenhamos, o Marcelo D2 não pode ter autonomia para se postar como um porta-voz e defensor da bandeira do samba, o negócio dele é o movimento HIP-HOP, e pronto. Depois desse atentado, por incrível que pareça, continuei vendo o programinha. Da entrevista acontece um corte que vai para uma tomada noturna na Rua Men de Sá, na Lapa, consumida por esses bares nojentos que se autodenominam butiquins, ou Botequins como queiram seus donos, e um povo do qual eu nem preciso falar né.... malandros do posto 9 com suas sandalinhas rasteiras e meninas com seus vestidos da moda e florzinhas na cabeça, todos admiradores do bom “Samba de Raiz”. E é na rua que a apresentadora chega para uma dessas mocinhas e pergunta:
- Fala um pouco pra gente o que é o samba?
E a bela sambista responde: (Não exatamente nessas palavras)
- Ah, o samba é essa raiz carioca que nós, hoje em dia, estamos recuperando.

Prestaram atenção no que ela falou né? Que nós cariocas estamos recuperando o Samba. Só se for nessa vida de patricinha dela que vive das tendências, as mesmas que tentam envenenar nossas tradições, como estão fazendo hoje com o Samba e fizeram no passado com o Forró.

Embasbacado com o que estava vendo, bebi um copo d´água, e consegui continuar assistindo ao vexame.

Depois do segundo atentado, Daniele Suzuki adentra à um casa, onde estava acontecendo uma apresentação da cantora Luciane Menezes. Nada contra o trabalho de nenhuma das duas, a casa é nova na Lapa e frequentemente vem abrindo espaço para shows de artistas regionais que expressam ritmos tradicionais de todas as partes do Brasil. Luciane Menezes é uma cantora talentosa, que tem como característica mesclar ritmos regionais em seus shows como, samba, coco, maracatu e ciranda. Neste caso, não acho que o programa cometeu um atentado, mas sim um equívoco, eles poderiam ter escolhido um outro estaelecimento no qual estivesse tocando o samba genuíno, já que eles são tantos, ou então ter ido à esta mesma casa em um outro dia. Mas, já estava tão revoltado que qualquer gota pra mim, naquele momento, era uma tempestade.

E o programa continua, nos próximos blocos são gravadas imagens num Centro Cultural na Lapa, e numa feijoada que acontece em laranjeiras; e entrevistas com os grupos Casuarina e Sereno da Madrugada. Pela primeira vez, o programa mostrou samba, mas mesmo assim não me satisfez. As bandas são consideradas representantes da nova geração, mas na minha opinião, ainda existem outros grupos contemporâneos que são melhores e me transmitem um samba muito mais verdadeiro, com pureza. Contudo, respeito o trabalho que as duas vêm fazendo.

Na mesma feijoada, Daniele Suzuki acaba a entrevista com o Sereno da Madrugada, que era a atração do dia, e passa para uma conversa com, vejam vocês, Moinho da Bahia. Tudo bem que, como fiquei sabendo, o som do grupo sofre uma forte influência dos sambas feitos pela velha guarda baiana, mas, pelo que me parece, o samba em questão seria o do Rio, o verdadeiro, que nasceu lá na Pequena-África. Deixando aqui registrado, não tenho nada contra o trabalho do grupo Moinho da Bahia também.

Pasmo com tanta corruptela, saí de casa revoltado e não pensei em outra coisa que não fosse este programa, uma pena, pois poderiam ter feito um negócio bonito e emocionante, e com isso, mostrar pra essa Grande Juventude o samba verdadeiro. Mas, percebi que o programa caiu no erro de expressar o ponto de vista desta tribo nojenta, que tenta banalizar o samba de qualquer maneira.
Francamente, uma pena.

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